Blog do Siqueira: Rodízio que não é de pizza mas que pode terminar nela


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O Acre chegou a 1740 casos confirmados do novo coronavírus e acende um alerta geral em todo o Estado, a população é relativamente pequena para tantos casos assim, a maioria concentrada na capital Rio Branco. No dia 17 de março, menos de dois meses atrás, o Acre confirmou seus três primeiros casos da doença, naquele momento, ninguém acreditava que chegaria ao nível que está hoje.

Os três casos se tornaram vinte, trinta e quando o número chegou a quarenta e oito, veio a primeira morte oficial, dona Antonia de Holanda, 79 anos, no dia 6 de abril, apenas vinte dias após a confirmação dos primeiros casos, hoje já são 55 mortes. O vírus não escolhe mais apenas  idosos e doentes, segundo uma própria reportagem que fizemos aqui no Correio 68, 25% dos que morreram em decorrência da Covid-19 no Acre eram pessoas saudáveis.

Rico, pobre, empresário ou empregado, todos estamos vulneráveis a este vírus que praticamente anulou metade do ano de 2020. Sim, anulou. O que você fez nesses quase seis meses? As crianças não foram para a escola, o Campeonato Brasileiro de futebol ainda não começou, não tem filmes nos cinemas, não estão dublando nem os que foram gravados, você não pode nem ir a um restaurante comemorar uma data especial, alguns deles estão até fechando, não pode chamar seus amigos para uma festa de aniversário e muitos não podem mais nem tomar um banho, enquanto outros estão se banhando até durante live com o presidente.

Países que tomaram medidas pesadas contra o coronavírus, hoje estão começando a pensar em retomada nas atividades. A preocupação é grande, inclusive no Acre os debates estão bem sérios, por exemplo, essa semana contaram a história do elefante do rei em uma sessão da Aleac.

Rodízio que não é de pizza mas que pode acabar nela

Os governos do estado e do município, anunciaram medidas de rodízio de veículos a partir de segunda-feira, muita gente pergunta: do que isso vai adiantar? Bom, certamente para impedir que onças pintadas morram atropeladas na cidade, por que você acha que o carinha que mora no Ipê com quatro carros na garagem, não vai continuar saindo? “Hoje eu escolho o HRV com final 6, amanhã saio no Corolla de final 9”. Enquanto o outro que tem o Palio 2001 com final 4 vai optar por pegar o ônibus que agora deve estar mais lotado ainda, porque reduziram a frota.

O ideal é ninguém sair sair de casa a menos que exista um motivo realmente necessário, hoje já existe decreto dizendo que você pode ser preso se descumprir a quarentena, que os supermercados terão que limitar o acesso de pessoas, você corre o risco de cair no vacilões da quarentena já que não é crime, e somos obrigados (com razão) a usar máscaras ou calcinhas no rosto para poder entrar nos lugares, mesmo assim as pessoas estão saindo, é como se essa pessoa se sentisse o próprio alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado e o mesmo que dizer: “4,5 milhões de pessoas com coronavírus no mundo, mas eu vou sair porque eu estou imune.”

Se mesmo assim as pessoas estão saindo de casa, o rodízio vai resolver o quê? Se metade ainda pode sair para socorrer a outra metade do tédio da quarentena? Principalmente com a confusão que está o pagamento do Auxílio Emergencial e segunda-feira provavelmente volte as aglomerações na Caixa. Entre muitas outras coisas, isso vai fazer com que o amigo que tem carro com final 8 vá buscar o outro em casa porque o final 3 dele não pode sair e continuar se aglomerando. Não sei, mas acho (opinião) que se decretassem bloqueio de todos os carros na rua, com as mesmas exceções daquelas do rodízio, teríamos resultados melhores. Não seria o lockdown uma saída mais lógica? Com o decreto do rodízio feito, resta torcer para que dê certo e não termine em pizza.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira
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