Diocese de Rio Branco divulga nota de repúdio contra agressão de jovem Vinícius em Plácido de Castro

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A Pastoral da Juventude da Diocese de Rio Branco juntamente com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Rede Um Grito Pela Vida e a Cáritas foi a público expressar repúdio frente à abordagem policial contra o jovem Vinícius Maia, morador de Plácido de Castro – AC que foi atingido com socos e pontapés na última sexta feira (29).

Confira na íntegra:

“NOTA DE REPÚDIO

A Pastoral da Juventude da Diocese de Rio Branco, juntamente com a Comissão Pastoral da Terra – CPT, a Rede Um Grito Pela Vida e a Cáritas, manifestam seu REPÚDIO à ação policial covarde, desproporcional, desmedida e fora dos padrões de abordagem que fora praticada por integrantes do Grupo Especial de Segurança de Fronteira (GEFRON) contra o jovem Vinicius Maia, morador do município de Plácido de Castro/AC, na noite da última sexta-feira (29).

Vinicius tem 17 anos e foi vítima de uma truculenta abordagem policial que o violentou com socos e pontapés em diversas partes do corpo, porque não estava fazendo uso de máscara na frente da casa de sua namorada.

Um jovem que sofre de sérios transtornos neurológicos por ter uma síndrome rara que lhe causa espasmos musculares e que, por conta disso, faz uso de marca passo e tem um chip eletrônico implantado na cabeça, pode vir a ter sua condição de saúde agravada e muito, em decorrência da crueldade praticada por esses policiais.

Apesar disso, não houve sequer registro de ocorrência policial por parte dos agressores. A PJ, a CPT, a Rede Um Grito Pela Vida e a Cáritas em toda sua organização vêm clamar e lutar pela vida, e vida em abundância (Jo 10,10), em especial pela garantia de um vida digna para as juventudes que são vitimadas pela pobreza, pela invisibilidade e pela violência. Nosso grito, hoje e sempre, é pela vida e pela igualdade, seja ela para garantir direitos ou para garantir justiça. Defender a vida é compromisso radical com o Evangelho, como a opção do próprio Cristo.

Nesta nota, além de manifestar solidariedade à Vinicius e sua família, questionamos o injustificável autoritarismo e a inaceitável truculência da polícia, bem como, clamamos por justiça diante de tantos fatos que, repetidamente, revelam que as vítimas da violência têm cor, classe e gênero: São pretos, pobres e periféricos, nas mais diversas comunidades, favelas, becos, baixadas e beiradões. Não toleramos que nos julguem por sermos quem somos, por virmos de onde viemos ou pelas condições em que somos obrigados a viver.

Neste movimento, convidamos todos e todas para ecoar gritos por justiça e pela vida de todas e todos que são vitimizadas(os) e condenadas(os) injustamente por um sistema que promove o encarceramento das juventudes e usam de desumanos meios de punição ao invés de implantar políticas que garantam melhores condições de vida para os que sofrem e são marginalizados ao longo de toda a história.

Reafirmamos o clamor por uma apuração séria, isenta e pela devida responsabilização por parte do sistema de Justiça. Há milhares de corpos jovens ensanguentados estendidos no nosso chão sagrado, muitas deles responsabilizados pelos seus próprios extermínios, como se não fossem apenas vítimas.

Lembremos do grito que continua presente no memorial de nossa mística da Pastoral da Juventude: CHEGA DE VIOLÊNCIA E EXTERMÍNIO DE JOVENS! Não podemos e não vamos nos calar.

Rio Branco, Acre, 31 de Maio de 2020, Solenidade de Pentecostes.”

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