COVID-19: ”O que vai acontecer é um massacre”, diz ex-diretor do Ministério da Saúde


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O debate sobre a flexibilização do isolamento social em virtude da pandemia do novo coronavírus começa a ganhar corpo no Brasil. Estado mais afetado no país, São Paulo divulgou, na semana passada, um plano para dar início ao desconfinamento. O Acre segue caminho semelhante, o governador Gladson Cameli (Progressistas) disse em entrevista que o lockdown é algo descartado e que a partir da segunda quinzena de junho os estabelecimentos começarão a voltar ao normal

No Amazonas, onde a crise também foi grande, o governador Wilson Lima (PSC), também programou o início da flexibilização para hoje (1º). Ao anunciar a medida, ele explicou que o programa vale apenas para a capital, Manaus, visto que no interior a decisão caberá aos gestores locais. Contudo, em entrevista dada para o jornal mineiro Estado de Minas, o infectologista Júlio Croda, ex-integrante do Ministério da Saúde, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), diz que o relaxamento das restrições não pode ser pensado municipalmente.

“Quando um paciente de uma cidade que não tem UTI precisa de um leito, ele é encaminhado a uma das vagas disponíveis naquela macrorregião. A decisão de flexibilizar ou restringir o isolamento tem que ser tomada em conjunto, entre todas as cidades de uma macrorregião. Todas serão impactadas por um aumento no número de casos. As cidades não podem ser olhadas individualmente, pois 80% dos nossos municípios têm menos de 20 mil habitantes e a maioria não conta com leitos de UTI”, explica.

Segundo ele, a ausência de diretrizes vindas do governo federal torna complicada a situação enfrentada por unidades federativas e cidades. “Sem o apoio da presidência e com estados e municípios pressionados pela iniciativa privada para reabrir mesmo sem leitos, o que vai acontecer é um massacre. Quem está morrendo? Pretos e pobres, que moram em comunidades carentes, onde o vírus circula mais intensamente, já que a população de baixa renda não consegue cumprir o distanciamento social. Nas classes altas, o vírus circula menos e há mais leitos no setor privado. Em compensação, nas classes pobres, há mais circulação e faltam leitos”, afirma.

A entrevista foi dada para o jornal Estado de Minas.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira
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