Mãe desabafa na internet sobre sua filha ter sido vítima de violência covarde no Acre


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Patrícia Miranda, uma mãe que relatou ter visto a sua filha sendo vítima de uma violência covarde na noite deste domingo (7), decidiu contar o que aconteceu em seu perfil no Facebook.

Confira na íntegra o relato:

“Sou mulher, mãe, militante do “Movimento contra a violência da mulher”. Faço parte de um grupo nacional de mulheres que ajudam outras mulheres que foram vítimas de violência.

E hoje, meu relato é de uma mãe que viu sua filha ser vítima de uma violência covarde.

Primeiro quero relatar minha dor de mãe, que viu a filha ser agredida por um homem com chutes, murros tapas e pontapés. Homem que não tem qualquer relação afetiva com ela.

E me dói não ter conseguido fazer nada para defendê-la dessa violência, naquele momento em que ela estava jogada ao chão e levando chutes na cabeça. O meu sentimento é de revolta e de dor.

Segundo, quero relatar minha experiência de “vítima” do sistema de segurança pública do estado. Ligamos no Ciosp, e rapidamente chegou uma viatura ao local. Eles não deram importância se uma mulher foi agredida.

Isso ocorreu na madrugada de domingo, 7, meio noite e pouco. Fomos aconselhadas a irmos na segunda-feira procurar a delegacia da minha regional e fazer um boletim de ocorrência, apenas.

Mas, não sei se todos sabem que delegacia da mulher trabalha com crimes sexuais e violência doméstica, somente quando existe vínculo afetivo entre a vítima e o agressor, ou seja, se um homem qualquer resolver espancar uma mulher na rua, sem motivo algum, àquela delegacia não vai atender essa mulher.

Então, as mulheres que apanham por ser mulheres e mais frágeis fisicamente, obviamente, não têm amparo algum do poder público.

Mesmo assim, levei minha filha à delegacia de flagrantes e lá fizemos o primeiro boletim de ocorrência. Novamente falaram para ela ir na segunda-feira, na regional em que moramos, para fazer outro boletim de ocorrência.

Quero falar também da lei Maria da Penha, onde só protege mulheres vítimas de violência doméstica ou no seio familiar. Fora isso, nós mulheres estamos expostas a ser agredidas e o agressor sair impune.

Procurei a rede de mulheres do município e o CAV, que é o núcleo do MPAC, que ajuda mulheres nessa situação de violência. Lá me senti super acolhida e elas estão me dando todo o apoio.

O autor da agressão não tinha vínculo amoroso ou afetivo com minha filha. Mas, sabemos que ele é agressor de mulheres contumaz.

Minha filha não foi a primeira.

Eu queria muito que ela fosse a última vítima de agressão dele. Mas, o que eu posso fazer como mãe?

Lhes respondo: Nada!

Fiz dois boletins de ocorrência, tudo dentro dos trâmites legais. Mas, sabe como estou me sentindo? Impotente. Sabe o que vai acontecer com esse agressor? Nada!

Ele vai no máximo prestar serviços para o estado ou pagar cestas básicas. E os traumas que eu e ela sofremos por passar por essa situação, nós mesmo vamos ter que superar. O agressor trabalha para uma pessoa conhecida no meio político da nossa cidade, além do meio político é Procuradora.

O agressor trabalha para uma mulher.

Decidi expor o agressor para que todos saibam quem é ele. Eu quero justiça e proteção à vida da minha filha e à minha, já que nossas leis são brandas.

Minha filha não dormiu essa noite com dores na região pélvica e abdominal e nos seios onde levou chutes desse covarde!

Meu coração sangra, eu estou revoltada!

Não desejo à mãe nenhuma passar o que passei.
Minha filha está viva, graças a Deus, mas, quem vai garantir proteção à ela?E se esse agressor aparecer novamente? Eu desejo mudança nessas leis de violência contra mulher. Por conta de leis brandas tantas mulheres são morta por seus agressores.

E desejo, do fundo do meu coração, que os movimentos que dizem buscar proteção às mulheres, deixem de hipocrisia, pois algumas figuras importantes desses movimentos me impediram até de falar com a chefe desse agressor, que como mulher de movimentos sociais, diz também defender as minorias.

Vocês são hipócritas e não desejo que vivam o que estou vivendo, mas que repensem suas posições. Vocês sabem quem são. No mais, gritarei por justiça até o fim. O Brasil precisa ser um país em que o machismo seja erradicado. Mas, com movimentos genuínos. Não adianta gritar contra o machismo e na prática passar pano pra machista porque é seu amigo!
Sou mulher, mãe e vítima dessa sociedade mentirosa, machista e corporativista.

Mas, creio que meus olhos verão a justiça! Vou lutar por isso até o fim!”

Abaixo está a postagem original:

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira
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