Exclusivo: Correio 68 entrevista a ativista que foi linchada virtualmente por ser contra a contratação do goleiro Bruno


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Na última segunda-feira (27), o Acre parou ao ver o presidente do Rio Branco Football Club, Alencar Neto, anunciar a contratação de Bruno Fernandes como novo goleiro da equipe. Bruno, o mesmo que em 2009 foi campeão brasileiro pelo Flamengo, fez com que o sucesso dentro de campo não refletisse o que vivia em sua vida pessoal, naquele mesmo ano ele recebeu uma ordem de restrição de sua ex-namorada, Eliza Samúdio, por agressão física.

Eliza pouco depois descobriu estar grávida, foi quando seu destino nada feliz foi selado, Bruno se sentiu no direito de decidir tirar a vida da jovem de apenas 25 anos, sem saber o que fazer com o corpo, seus comparsas a esquartejaram e segundo concluiu a investigação da polícia, os restos mortais foram dados aos cães.

Não é de se admirar que muitas pessoas fossem se sentir revoltadas que um homem capaz de tamanha monstruosidade poderia voltar, apenas dez anos depois, à posição que ocupava antes do crime, de atleta profissional. Com isso, a ativista e militante Vanessa Facundes demonstrou publicamente através de uma rede social sua indignação com a situação e sofreu o que se pode chamar de verdadeiro linchamento virtual, com ataques machistas e xingamentos.

Vanessa que é advogada, atua no meio jurídico defendendo que criminosos não ocupem papel de destaque, pois isso seria uma forma de premiar quem praticou grande agressão a uma mulher ao tirar sua vida de forma brutal. Em entrevista exclusiva ao Correio 68, ela comentou como advogada e servidora da lei:

“Perante a lei, a justiça está sendo cumprida, mas desaprovo moralmente a ausência de legislação que proíba a ocupação de cargos relevantes por quem comete crimes hediondos. Eu como advogada devo ter uma reputação ilibada para exercer minha profissão. Quiçá um goleiro que tem fãs, crianças o idolatrando inocentemente.”

Perguntamos para ela o que ela entende por ressocialização e por que na visão dela, ela acredita que pessoas que cometam crimes hediondos não devem ocupar posições de destaque, ela respondeu:

“[Ressocialização] É a inserção do indivíduo na sociedade novamente, o que eu sou a favor. Sou contra a ocupação de cargos de notoriedade por assassinos como o Bruno. Faço até uma comparação ao caso do Guilherme Pádua, ele não atua mais nas telenovelas brasileiras, afinal, como ser ator diante de um assassinato brutal cometido por ele? Da mesma forma o Bruno.”

No comentário em questão, Guilherme de Pádua que foi citado por Vanessa foi condenado em 1992 pelo assassinato da também atriz Daniela Perez, filha da escritora acreana Glória Perez, morta à tesouradas com a ajuda de sua esposa Paula Nogueira Peixoto.

Finalizando a entrevista, perguntamos como ela pretende reagir aos ataques que sofreu e se ela entende o motivo de ter sido atacada por ter sido contra a contratação de Bruno, ela respondeu:

“Pretendo entrar com ações judiciais. E eu fui atacada porque a sociedade é machista, eu sofri apenas por expor a minha opinião e ser mulher! E sofremos isso todos os dias, no trabalho, ao andar na rua…”

Mesmo sob protestos e manifestações, o presidente do Rio Branco FC disse que irá manter a contratação do goleiro, que chegou ao Acre na tarde desta quinta-feira (30), um dia antes do que havia anunciado, como estratégia para driblar a imprensa e os manifestantes. Para a manhã dessa sexta-feira (31), o movimento feminista da capital acreana está organizando um protesto em frente ao estádio José de Melo, que é o centro de treinamento da equipe de futebol.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira
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