Capital das ciclovias: como é a segurança para a prática do esporte que mais cresce no Acre?

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O ciclismo é um esporte em constante ascensão no Acre, mesmo na pandemia de Covid-19, é muito comum ver grupos nas ciclovias e nas estradas pedalando e desfrutando dos benefícios para a saúde que a vida sob pedais pode proporcionar.

Seja para ser usado como meio de transporte para condução ao trabalho ou faculdade, ou mesmo como um esporte e lazer, as bicicletas quando praticadas de maneira correta trazem resistência muscular, melhora do condicionamento físico, dos sistemas cardíaco, respiratório e vascular; ajuda a eliminar as gorduras localizadas e reduz o estresse, mas ao dividir os asfaltos com os demais veículos, o ciclismo traz preocupação quanto à segurança.

O Correio 68 conversou com alguns ciclistas para saber o que eles pensam sobre as condições para o ciclismo na capital Rio Branco, onde a rede de ciclovias é ampla e bastante elogiada.

O jornalista Wesley Moraes, de 28 anos, pratica o ciclismo há cerca de dois anos e reforça a informação:

“Nossa cidade possui uma boa rede de ciclovias, o que acaba contribuindo positivamente para a segurança dos ciclistas. O grande problema é para quem pedala para locais mais distantes, onde é necessário transitar em rodovias. Na BR-364, por exemplo, além dos buracos, o acostamento é muito ruim. Para minha segurança, sempre pedalo pela mão contrária, pois tenho a visão frontal dos veículos. Em relação aos motoristas, uma parcela ainda não respeita os ciclistas. Inclusive, já passei por alguns sustos.”
📷: Ciclista há dois anos, Wesley viu sua vida melhorar após a prática do esporte — Foto/Arquivo pessoal

Já o advogado Bernardo Cardoso, ciclista há três anos, diz que o esporte foi necessário para sua saúde: “eu era obeso, sofri no começo, mas hoje é gratificante, apesar dos percalços existentes”. Ele também elogia a estrutura das ciclovias, mas enfatiza que o maior problema está na segurança pública:

“Rio Branco é considerado capital das ciclovias, mas o poder público e parte população não respeita, pois a falta de manutenção e limpeza deixam a desejar, carros e motos estacionados nas ciclovias. Acredite, em determinados trechos, é mais seguro não utilizar a ciclovia devido o risco. Infelizmente, a cidade está um caos em relação à segurança pública, os relatos de crimes contra os ciclistas são constantes, adoto estratégias como: pedais em grupos, evito locais com alta incidência de crimes, mas sei do risco.”
O Acre também é uma capital para o ciclismo não só para os acreanos, como também para muitos aventureiros de pedais que usam o estado como rota para chegar a países como Peru e Bolívia. Em 2019, a massoterapeuta Francine Villas Boas, saiu pedalando de Florianópolis (SC) com o objetivo de chegar até a cidade de Cusco, no Peru, no caminho parou em Rio Branco por uma semana e se encantou pela cidade:
“Rio Branco tem uma das melhores estruturas de ciclovias entre todas as cidades em que passei, infelizmente, encontrei problemas com as estradas, onde faltam melhores acostamentos e sinalização, os carros geralmente andam bastante colados com a beira delas e não respeitam o espaço para que o ciclista possa seguir sua viagem em segurança”, disse.

 

📷 Francine conseguiu concluir sua viagem ao Peru e retornou para a sua cidade natal em segurança — Imagem/Arquivo pessoal

Francine conta também que antes de vir leu sobre a história do casal sueco Johanna Charlotte Eklöf, de 26 anos e Karl Emil Andreas Börner, de 25, os dois foram atropelados por um veículo em alta velocidade no município de Epitaciolândia no dia 26 de setembro de 2015, Johanna morreu ainda no local e Karl chegou a ser transferido para então na época Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), os dois planejavam ir até o Alasca, nos EUA:

“Li sobre um casal de suecos que foram atropelados no Acre em uma rota em que eu iria passar, infelizmente é um risco que todos corremos, mas se você parar para olhar, existem muito mais acidentes de carros do que os que envolvem bicicletas, isso é uma coisa que pode acontecer em qualquer lugar e não fiquei com medo, até porque, pelo que vi, só teve esse, né?”

Dicas para iniciantes

Seja na cidade ou na estrada, elaboramos 10 dicas divulgadas pelo site Bike Registrada para quem quer começar a praticar ciclismo:

  1. Escolha uma bike para iniciantes: é importante que a bike seja confortável e adequada ao seu biotipo, para iniciar, não invista de cara em uma de última geração, vá conhecendo suas necessidades e objetivos para fazer os ajustes
  2. Aprenda a fazer manutenções de emergência: você não precisa ser um especialista em mecânica para começar a pedalar, mas é necessário que aprenda algumas tarefas básicas de manutenção para evitar acabar ficando desamparado.
  3. Use roupas e equipamentos adequados: o primeiro e mais importante equipamento para começar a pedalar é um capacete adequado, roupas, calçados e luvas adequadas também são considerados essenciais para o conforto e condução da bicicleta.
  4. Cuide da segurança: usar equipamentos e acessórios que garantam segurança reforçada durante o pedal.
  5. Dê atenção a alimentação e hidratação: o cuidado com a alimentação é muito importante na prática de bike para iniciantes e veteranos. De forma geral, quem pedala deve privilegiar uma alimentação rica em carboidratos, em função do alto consumo calórico exigido pela atividade.
  6. Pedale por locais conhecidos: essa dica vale tanto se você for pedalar sozinho ou acompanhado por alguém iniciante: faça trajetos que você conheça, que tenham ciclovias ou ciclofaixas.
  7. Entre em um grupo de passeio: pedalar em grupo é mais seguro do que sozinho. Existem centenas de ciclistas que se reúnem para passear e há turmas específicas para quem está iniciando como você.
  8. Respeite seus limites: conheça os seus limites e não exagere no passeio.
  9. Faça alongamentos: essa dica vale ouro e é ignorada por muitos ciclistas. O alongamento, além de colocar seu corpo para movimentar antes do treino, vai aquecer seus músculos e prepará-los para a carga da pedalada.
  10. Mantenha distância do meio fio e veículos: por mais intuitivo que seja no começo, não pedale perto do meio-fio, o ideal é uma distância de pelo menos 1,5 metros, pois, isso traz um grande risco de acidentes e quedas, por um simples toque da roda na guia.

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