CORONAVÍRUS

Variante Delta: o que o Brasil deve fazer para conter essa nova ameaça?


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Registrada pela primeira vez na cidade de São Paulo na segunda-feira, 5, a variante Delta (B.1.617), detectada originalmente na Índia, tem renovado as preocupações sobre o futuro da pandemia no País. Isso ocorre diante do avanço da cepa observado em países da Europa, ainda que no Brasil sua disseminação seja incipiente – pelo menos conforme os dados oficiais. A estratégia para combater essa ameaça, dizem especialistas, envolvem medidas já conhecidas, como distanciamento e máscaras, além de aceleração da vacinação e vigilância genômica.

“Na medida em que essa transmissibilidade aumenta por essa cepa, a pandemia é reaquecida”, diz o infectologista Martoni Moura e Silva. Para conter o avanço da variante, na opinião dele, é preciso reforçar medidas preventivas e acelerar a vacinação contra a covid-19. Responsável pelo agravamento da pandemia na Índia, a Delta é considerada como “variante de preocupação” pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, conforme a entidade, já circula em 98 países.

Estudos apontam que a variante é mais transmissível do que a Alfa, descoberta pela 1ª vez no Reino Unido. Nos Estados Unidos, onde a vacinação ocorre a passos largos, a Delta já representa mais de 25% dos novos casos. Segundo o Financial Times, a cepa era responsável por mais de 90% das infecções no Reino Unido e em Portugal no fim de junho, além de avançar na Alemanha, França e Espanha. Esse cenário já freia os planos de reabertura das atividades econômicas em vários pontos da Europa.

Sandra Coccuzzo Sampaio Vessoni, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Instituto Butantan, porém, acredita que a Delta deve encontrar dificuldades para se estabelecer no Brasil. “Os municípios estão com 70% a 100% de casos da variante P.1. (a Gama, originalmente identificada em Manaus). Mesmo achando uma variante importante, o fato de ter uma muito disseminada faz com que não seja fácil alcançar o mesmo ‘hub’”, explicou em entrevista ao Estadão.

“Nos outros países onde a Delta se estabeleceu, não havia uma prevalência da variante Gama como no Brasil”, declara Eduardo Macário, superintendente de vigilância em Saúde de Santa Catarina. Ele também acredita que o avanço da cepa indiana no País é uma incógnita.

Veja algumas das medidas apontadas por especialistas:

Rastreio de casos

Em um primeiro momento, o infectologista Martoni Moura e Silva acredita ser preciso rastrear as possíveis infecções pela variante no País. “Precisamos isolar os diagnósticos e todos seus contatos.” Para ele, um isolamento de dez dias é suficiente para evitar que o paciente contaminado transmita a cepa a outros.

Nesse sentido, também aponta que as barreiras sanitárias precisam ser ainda mais rigorosas. “Precisamos de agilidade das vigilâncias sanitárias dos aeroportos e das cidades onde casos de variantes foram detectadas”, afirma. O Estadão mostrou nesta quarta-feira que apenas um entre 18 dos maiores aeroportos do País possui uma barreira sanitária operante. O único com essa estrutura em funcionamento é o terminal de Congonhas, na zona sul de São Paulo.

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Redação

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