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#TBT do Acre: a história da saltenha


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O TBT do Acre hoje vai abordar seu lado mais delicioso e contar um pouco da história de uma das iguarias mais famosas no Acre, que acreano não gosta de uma boa saltenha, não é verdade?

A saltenha é um salgado popular no Acre desde que as terras começaram a ser habitadas, mas o que poucos sabem é que sua origem se deu no país vizinho, Bolívia.

A origem

Tudo começou com uma mulher chamada Juana Manuela Gorriti, que nasceu em 1918 na cidade de Salta na Argentina, de origem nobre e filha de políticos, Juana viveu em uma época conturbada onde o ditador Juan Manuel de Rosas assumia o país, seu pai era integrante do Partido Unitário que lutava contra as forças de Rosas, sem saídas, a família teve que fugir da Argentina e se exilar na Bolívia. Aí você deve estar pensando: o que isso tem a ver com a saltenha? Calma, já vamos chegar lá!

Juana Manuela Gorriti. Imagem/Internet

Na fuga, a família teve que deixar tudo para trás e se abrigaram na cidade boliviana de Tarija, Juana tinha apenas 13 anos quando isso aconteceu e viu a sua vida mudar completamente da nobreza para a extrema pobreza na Bolívia. Para ajudar a sua família, a pequena Juana começou a produzir uns pasteis que na Argentina eram chamados de “empanadas caldosas” que geralmente eram feitos de carne, mas como os materiais a que tinham acesso na Bolívia eram diferentes, a principal matéria-prima que Juana usou em sua receita foi a batata e deu o nome dela de “empanada salteña“, em homenagem à cidade em que nasceu.

Sucesso da saltenha

A venda daqueles pasteis se tornaram um verdadeiro sucesso na Bolívia, começando em Tarija e depois sendo popular em todo o país, Juana Manuela passou a ser conhecida como “a Saltenha” e o nome foi sendo adotado por todos. A bela jovem argentina em uma viagem à La Paz conheceu um capitão militar chamado Manuel Isidoro Belzú e casou-se com ele ainda muito jovem, em 1848 Isidoro se tornou presidente da Bolívia.

Juana, agora em uma vida mais confortável, deixou de vender as saltenhas e se dedicou a ser escritora, publicando muitos livros, faleceu em 1892 aos 74 anos, mas sua receita permaneceu viva por toda a Bolívia, até nestas terras a que hoje chamamos de Acre que só passou a ser do Brasil onze anos depois de sua morte.

Mas mesmo o Acre mudando de nacionalidade, a tradição criada por Juana Manuela e suas deliciosas saltenhas estão vivas na nossa memória até os dias de hoje, aqui elas estão em todo lugar, vendidas em qualquer tenda e o sabor, hummm… O samba de João Gilberto poderia facilmente adaptar sua letra para: “quem não gosta de saltenha, bom sujeito não é.”

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira

One thought on “#TBT do Acre: a história da saltenha

  1. Lembrando que a nossa Saltenha e mais gostosa que a da Bolívia, temos hoje saltenha de jambu!

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