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Caso Trisal: Testemunha conta com detalhes o que aconteceu na noite do crime, confirma comportamento agressivo de Nery e revela fatos omitidos por Alda Radine


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As versões que permeiam o crime ocorrido na madrugada do último domingo (28), envolvendo o trisal acreano formado pelos sargentos da Polícia Militar do Acre Erisson Nery, Alda Radine e a administradora Darlene Oliveira, ainda são muitas e carecem de maiores diligências da Polícia Civil, que busca elucidar o caso.

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De um lado a versão de Alda, que acusa o jovem alvejado por Nery de assédio e agressão. De outro lado, amigos e testemunhas que relatam o comportamento agressivo do casal, que resultou na confusão e na tentativa de homicídio do estudante de medicina Flávio Endres, de 29 anos,

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Em que pese os diversos relatos e a investigação ainda em curso, a julgar pelo pedido de prisão preventiva lavrado pela delegada do município, Carla Ívane, a Polícia Civil parece estar convencida de que o Sargento agiu de maneira desproporcional e agressiva.

“Constatando-se a gravidade da reação desproporcional cometida contra uma pessoa desarmada e, mesmo após ter alvejado a vítima, estando esta desfalecida no chão e sem possibilidade de defesa, a agride sem nenhuma necessidade”, afirmou a delegada ao pedir a prisão do militar.

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Ainda nos autos do inquérito, há o relato do encarregado da segurança do bar onde a confusão iniciou, testemunha chave para a investigação, que afirma ter presenciado tudo desde o início. Segundo ele, foi avisado por clientes que ocupavam a mesa ao lado do trisal, que Nery estava incitando confusão, acusando-os de olharem de forma desrespeitosa para Alda.

“O depoente [segurança] foi falar com o SGT Nery para ele se acalmar, mas ele batia nos peitos e dizia “sou eu, pode vir”, gesticulando para o pessoal da outra mesa. Que na mesa do SGT Nery começou uma pequena discussão entre ele e a esposa Alda Radine, sendo que ela jogou cerveja e desferiu uns tapas na cara dele, que não reagiu a tal agressão por parte da esposa”, contou.

Em seguida, ainda de acordo com o encarregado, Alda Radine ficou incomodada com as pessoas que olhavam a confusão entre o casal e foi tirar satisfação, momento em que teria agredido a vítima com um tapa, que reagiu dando um soco que a levou ao chão.

O Sargento então sai em defesa da esposa e tenta agredir o estudante, mas é impedido pela equipe de segurança, no entanto, ao perceber a saída da vítima do bar, Nery saca uma arma de fogo e sai em disparada atrás de Flávio.

“O depoente informa que o SGT Nery segurou o rapaz pelos braços, o derrubou no chão e em seguida efetuou três disparos contra o mesmo, seguidos de chutes na cara, nas costelas e socos no rosto. O depoente afirma que os tiros foram disparados frontalmente, pois a vítima caiu de frente”.

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Ao contrário do depoimento da Sargento Alda Radine, que alega ainda estar desnorteada dentro do bar nos momentos após os disparos, o encarregado da segurança afirma que a militar chegou logo em seguida e desferiu uma garrafada na vítima já baleada.

A testemunha contou ainda, que Darlene interviu tomando a arma de fogo das mãos de Nery e tentando proteger a vítima. A administradora, entretanto, disse em seu depoimento que não sabe onde teria deixado a arma usada no crime, mas o depoente revela ter visto Alda pegando a pistola das mãos de Darlene. Alda Radine também sustentou em seu depoimento que não sabe onde a arma de fogo teria sido deixada.

Sobre a versão de Alda Radine, que alega ter sofrido importunação sexual e agressão por parte do estudante, esta não foi confirmada nem por sua companheira, Darlene Oliveira, que afirma estar olhando para a apresentação do cantor no momento dos fatos.

Os relatos desta reportagem foram obtidos com exclusividade pelo jornalismo do Correio 68 e constituem elementos informativos da persecução penal, que até o momento não tem seus autos protegidos por segredo de justiça.

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Redação

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