EL PATRON DEL MAL

‘Herdeiro de Pablo Escobar’ condenado a pedido da Justiça acreana tem prisão domiciliar negada pelo STJ


O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, negou o pedido de prisão domiciliar – ou, alternativamente, de internação em clínica especializada – apresentado pela defesa de Jesus Einar Lima Lobo Dorado, o ‘Don Pulo’ apontado como chefe do tráfico de drogas na fronteira do Brasil com a Bolívia.

Segundo o processo, ele foi extraditado ao Brasil pelo governo da Bolívia, em razão de ordem de prisão preventiva decretada pela Justiça Federal no Acre, nos autos de ação penal a que responde no Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1).

Em maio de 2021, o réu foi entregue na fronteira ao Ministério da Justiça brasileiro, e enviado ao presídio de Campo Grande (MS). Embora o processo tenha sido iniciado no Acre, a Justiça Federal concluiu que o sistema penitenciário daquele estado não tinha condições de assegurar a integridade física do preso.

Herdeiro de Pablo Escobar

Don Pulo, tido como “herdeiro de Pablo Escobar” foi condenado em agosto de 2021 a 14 anos de prisão após pedido do Ministério Público Federal (MPF) do Acre. Ele estava preso desde setembro de 2019 e extraditado para o Brasil em maios.

As autoridades bolivianas afirmam que ele é conhecido como uma espécie de “herdeiro” do narcotraficante colombiano Pablo Escobar, em razão da forte ligação com aqueles que deram “continuidade ao negócio’.

Jesus Einar foi denunciado por ceder aviões para o transporte de drogas para o Brasil, em um esquema onde o bando do qual fazia parte arrendava fazendas em região fronteiriça e construía pistas de pouso clandestinas com a finalidade de pousar os aviões, de propriedade de Jesus Einar, carregados com a cocaína originária da Bolívia e Peru.

Na sentença, a juíza responsável pelo processo ressaltou que o inquérito policial, que deu suporte à ação penal, foi instaurado a partir de relatórios de informação do Grupo de Inteligência da Polícia Federal no Estado do Acre, quando foram apresentados fortes indícios do envolvimento de uma organização criminosa com o recebimento, armazenamento e transporte de generosas quantidades de cocaína provenientes de alguma região fronteiriça do Estado do Acre com a Bolívia ou Peru para outros Estados da Federação, na qual a cabeça da organização seria Valéria Silveira da Cruz, brasileira já conhecida da PF como traficante de drogas e que residia em Rio Branco, capital do Acre.

Além de Valéria, outros envolvidos no caso já foram denunciados pelo MPF e condenados pela JF, o caso de Jesus Einar foi desmembrado em razão de particularidades como sua nacionalidade e residência em país estrangeiro.

“Don Pulo” é acusado, ainda, de participação em outro caso de apreensão de mais de 200kg de cocaína em uma cidade no interior do Acre, com o mesmo modo de operação. Apenas nestes dois casos soma-se mais de meia tonelada de drogas que seriam distribuídas para diversos estados brasileiros.

O traficante deverá cumprir a pena em regime inicialmente fechado, e não poderá apelar da decisão em liberdade. Ele ainda foi condenado a pagar 1400 dias-multa, no valor de 1/30 do salário mínimo mensal vigente no Brasil à época dos fatos, por cada dia multa.

Post navigation

Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira