SEM EFICÁCIA COMPROVADA

Em meio a novo surto do coronavírus, porta-voz do Governo incentiva uso de ‘Kit-Covid’


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A porta-voz do Governo do Acre, Mirla Miranda, usou o seu perfil no Facebook para informar o uso dos medicamentos sem eficácia comprovada que compõem o chamado “Kit Covid”.

O Acre vive nesse início de 2022 a 3ª onda de Covid-19 com estouro de casos confirmados nos últimos dias. Em meio à crise, ressurge a necessidade de cuidados sanitários mais rígidos. No entanto, órgãos de referência alertam que ainda não existe medicamento para prevenir ou tratar a doença.

Apenas nesses 21 dias de janeiro, o Acre confirmou um total de 3.618 casos da doença. Número bem maior do que todas as infecções confirmadas nos meses de julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2021, que juntos somaram 2.626 casos.

Na publicação, a porta-voz diz que tomou as doses de vacina e que acredita na ciência. Logo em seguida, ela brinca com o fato de atribuírem os medicamentos sem eficácia comprovada, muito difundidos pelo Governo Federal, ao negacionismo.

“Acredito no meu médico ‘negacionista’. Vou tomar meu kit para resguardar minha família”, diz.

Foto: Reprodução/Facebook

O chamado ‘Kit Covid’ é composto por medicamentos como azitromicina, que é um antibiótico, portanto, por composição não ataca o novo coronavírus, já que antibióticos são indicados apenas contra bactérias. A ivermectina, que também consta na imagem, é usada para tratamento e condições causadas por vermes e parasitas, sem relação comprovada com a Covid-19.

Até o momento, o que existe em relação aos medicamentos são pesquisas que também incluem outras drogas para descobrir se elas podem ajudar no combate da doença de alguma maneira. Porém, ainda não há resultados conclusivos, o que descarta a possibilidade de uso na prevenção do coronavírus. Dentre as pesquisas, até mesmo alguns canabinoides, substâncias derivadas da maconha, foram testadas.

No caso de Miranda, conforme a própria postagem diz, há prescrição médica para os medicamentos. No entanto, desde rumores da possibilidade de um tratamento precoce, disseminados em massa por grupos e redes sociais em 2020, a procura pelos remédios cresceu e junto veio o alerta de que o uso de medicamentos sem necessidade ou sem prescrição médica, pode causar danos graves à saúde.

Em 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS), através de um comunicado oficial, desaconselhou o uso desses medicamentos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também se posicionaram contra. Assim como a Associação Médica Brasileira (AMB).

Indo mais além, a AMB passou a recomendar que remédios como a hidroxicloroquina e a ivermectina fossem ‘banidos’ do tratamento da Covid-19.

O assunto também foi uma das principais pautas da CPI da Covid no Senado. Através de depoimentos que relatavam situações em que médicos foram obrigados a receitar o Kit Covid. E também de relatos frequentes de pessoas enfrentando problemas de saúde após o uso.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira
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