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Correio 68 conversa com uma russa e um americano sobre suas visões da Guerra da Ucrânia; leia


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Os olhos do mundo estão voltados com preocupação e tensão para a fronteira entre a Rússia e Ucrânia no leste europeu. Na madrugada de quinta-feira, o presidente russo Vladimir Putin colocou em prática o que já vinha ameaçando há tempos, a invasão da Ucrânia.

A priori, Putin afirma não ter intenção de dominar ou anexar o território, a investida visa enfraquecer o exército ucraniano e garantir o domínio russo. A briga, no entanto, não é nenhuma novidade.

A Rússia e a Ucrânia possuem uma ligação mais forte do que as bordas da fronteira, os dois são países eslavos e muito ligados culturalmente. Em diversas páginas da história, chegaram a ser um único país, sendo Kiev também sido capital da Rússia.

Após a revolução de 1917, a Ucrânia foi anexada à União Soviética, onde permaneceu até sua independência em 1991 em decorrência do fim daquele regime. A essa altura, todos sabemos que após a Segunda Guerra Mundial, a União Soviética e os Estados Unidos – que foram aliados naquela guerra – cravaram a Guerra Fria que dividiu o mundo entre as ideias capitalistas e marxistas.

Com a União Soviética criando seu império, anexando cada vez mais territórios e dando por se tornar a nação mais poderosa de todos os tempos pelo tamanho do seu território e poderio militar, os EUA tiveram que fazer uma invertida e buscar apoio, disso saiu a OTAN, um grupo político-militar que tinha como principal objetivo o lema: “se atacar um dos países membros será considerado um ataque a todos os membros”.

O estopim para esta guerra foi a negociação da Ucrânia para ingresso na OTAN, visto como ato de traição por Putin, uma vez que ainda consideram a Ucrânia como uma espécie de território autônomo da Rússia. Putin, ex-espião da KGB e membro do Partido Comunista, jamais permitiria que um dos países que compunham a União Soviética firmasse uma aliança com o Ocidente bem na sua fronteira.

E que fronteira… A Ucrânia se localiza ao oeste, sendo o elo com o mundo ocidental e o principal “escudo” da Rússia em casos de ataques. Para chegar a Moscou, os inimigos tinham de um lado os desertos de gelo da Sibéria e do outro, os 1,6 mil quilômetros do território ucraniano.

Concluindo, tudo o que Putin não quer é movimentação de soldados do Ocidente embaixo de sua aba.

Este colunista conversou na manhã desta sexta-feira com uma antiga amiga russa, Raissa Sonrrisa, filha de pais espanhois que migraram para a então União Soviética no governo de Mikhail Gorbatchov. Fazia pelo menos uns 4 anos que eu não conversava com Raissa, uma professora de dança de 32 anos que vive em São Petersburgo.

Em sua visão, a tensão de guerra ainda não tomou conta da população. A vida segue normal na cidade, por hora, sem medo de bombardeios ou invasões. No geral, grande parte do povo foi pego de surpresa e reprova a invasão por achar exagerada a decisão de Putin. Ao mesmo tempo, Raissa me contou que embora alguns tenham receio, há um sentimento de muita confiança nas atitudes do presidente do país.

“Ninguém aqui quer a guerra, muitos temos parentes na Ucrânia, espero que Putin realmente saiba o que está fazendo”.

Do outro lado, conversei com Andrew Dean, ex-mecânico de aeronaves da Força Aérea Americana que hoje se dedica à vida de fotógrafo de paisagens. Dean é um amigo de longa data que me ensinou muito sobre como funciona o sistema militar dos EUA. Segundo o que acredita, o presidente Joe Biden deve não se meter no conflito.

“É uma briga de pai e filho que a gente acompanha à distância, pela lógica, acho que a Ucrânia vai se render. Acredito que a atitude da Rússia vai fazer com que ela se complique economicamente e o povo vai pedir a renúncia de Putin”.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira
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