ANDERSON SIQUEIRA

A vingança de Marcio Bittar pode fazer o tiro sair pela culatra


Ninguém duvidava de que o senador licenciado Marcio Bittar, do União Brasil, traria algum tipo de resposta após ver sua ex-esposa Márcia, do PL, ser retirada da chapa de Gladson Cameli, do PP.

Começou a ser veiculado pela mídia nesta quarta (3) que uma reunião em Brasília, fez que com que Bittar recebesse um suposto aval da direção nacional do União Brasil e do MDB para fazer aliança com a pré-candidata ao Governo Mara Rocha.

Nessa composição, Mara teria como vice o pecuarista Fernando Zamora, do PRTB e ao Senado disputaria Márcia Bittar. Os três possuem alinhamento ideológico com o presidente Jair Bolsonaro, o que fez com que um possível acordo de aliança com Jenilson Leite, do PSB, fosse desfeito.

Acontece que, ao fazer o acordo, Bittar inviabilizaria a possibilidade de, Alan Rick – de seu mesmo partido – sair como vice de Gladson. Caso insistisse no cargo, Alan poderia sofrer consequências de uma infidelidade partidária. Inicialmente, o deputado havia anunciado disputa pelo Senado (ele e Bittar acabaram no mesmo partido após fusão do PSL com o Democratas, onde cada um estava).

Caso Alan realmente não consiga confirmar ser vice de Gladson, até poderia voltar a disputar o Senado, como era seu plano inicial. Mas agora topará com uma realidade diferente: na disputa, dividiria o mesmo eleitorado com Márcia e agora que tem seu destino nas mãos da família Bittar, seria uma “pedra” no caminho ao Congresso. Dizem as “más línguas” que Bittar pode até impedi-lo de concorrer a qualquer cargo em outubro.

Se tirar Alan da disputa aumenta as chances de Márcia por um lado, do outro ela poderia contribuir para a vitória de um grande desafeto de Marcio, o ex-senador Jorge Viana, do PT. Não convém esquecer que o motivo que fez Gladson desistir de ter Márcia em seu mesmo palanque foi a baixa popularidade com os eleitores, sobretudo por uma sequência de declarações polêmicas em entrevistas. Caso não consiga melhorar essa popularidade até o dia 2 de outubro, o petista teria grandes chances de vitória.

Em todas as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, Márcia raramente aparecia com mais de 10% das intenções de voto e Alan sempre era visto em segundo lugar, por vezes, com empate técnico com o petista. Isso leva a acreditar que o sentimento de “vingança” de Bittar pode lhe trazer uma consequência política indesejada: ou terá ao seu lado no Senado sua ex-esposa Márcia, com ideias totalmente alinhadas; ou terá Jorge Viana, com ideias completamente opostas.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, professor de idiomas e assina o Blog do Siqueira