LAMENTAÇÕES

Aliados de Bolsonaro no Acre lamentam derrota nas urnas; veja o que cada um disse


O Acre é conhecido como um dos estados mais bolsonaristas do país, não à toa, em 2018, o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu 77% dos votos válidos, equivalendo 294.899 votos. Em 2022, o número caiu para 287.750 e foi o segundo estado a dar a maior porcentagem com 70,30%.

Durante a campanha, foram muitas as autoridades que declararam apoio e engajaram a campanha de reeleição no estado. Após a derrota, alguns deles se manifestaram, o Correio 68 separou para você:

GLADSON CAMELI, governador reeleito

Acre: Bolsonarista defende agronegócio “em sintonia” com meio ambiente - Amazônia Real

O primeiro a se manifestar foi Gladson Cameli (Progressistas), que na manhã da votação afirmou que “Bolsonaro seria a melhor opção para o Acre”. Em um ato democrático, o governador reeleito reconheceu a derrota a parabenizou a vitória de Lula:

— “Aos representantes do povo, cabe a missão de compreender e respeitar a vontade popular. Por isso, cumprimentamos Luiz Inácio Lula da Silva pela sua eleição ao cargo de presidente do Brasil a partir de 2023. Estamos prontos para trabalhar em harmonia com o governo federal buscando o entendimento e a superação dos vários desafios que nosso estado enfrenta. Dessa forma, renovamos nosso compromisso de trabalhar para o benefício das pessoas e acima dos interesses políticos”, disse no Instagram.

MARCIO BITTAR, senador

Senador Marcio Bittar on Twitter: "Presidente Bolsonaro me recebeu pra retomarmos as pautas importantes para o Brasil e para o Acre em um ano desafiador, em que as pessoas que ainda não

Um dos principais nomes de Bolsonaro no Acre, o senador Marcio Bittar (União Brasil) usou grande tempo de suas falas no debate para fazer campanha ao atual presidente. Em seu perfil no Facebook, Bittar iniciou com o bordão “Deus, pátria, família e liberdade”, usado por Bolsonaro algumas vezes na qual foi muito criticado por ser de origem fascista. O lema foi criado pela Ação Integralista Brasileira, que surgiu na década de 1930, inspirado no governo de Benito Mussolini, na Itália.

— “Deus, Pátria, Família e Liberdade! O brasileiro já travou grandes batalhas em busca de dias melhores. Convivi com muitos políticos e vi de perto o enorme coração do Presidente Bolsonaro: enquanto muitos ficaram nos discursos eleitoreiros, ele ampliou programas sociais, contestou desmandos, resistiu à mídia e ao sistema que não conseguiu entender como um sujeito simples, poderia devolver a uma multidão o orgulho de ser brasileiro, de andar de cabeça erguida e resgatar valores familiares que há muito estavam deixados de lado pelo mesmo sistema que lutou contra o Brasil mais uma vez, em troca de falcatruas e benefícios. O Acre nunca foi tão ajudado por um presidente. Tenho orgulho de ter sido escolhido Relator do Orçamento e de servir ao lado de Bolsonaro, pelo bem do nosso povo. Combatemos a boa luta! Que Deus abençoe e proteja o Brasil. Estamos juntos!”, disse no Facebook.

ALAN RICK, deputado federal e senador eleito

Alan Rick diz estar com Bolsonaro 'doa a quem doer' nas reformas do governo – O Alto Acre

O novo senador do Acre, eleito com 154.312 votos, também se manifestou com pesar e culpou outras regiões do Brasil por acreditar em “mentiras”:

—  “Dia triste! Sem palavras para descrever o que sinto! O Acre deu mais de 70% dos votos ao presidente Bolsonaro! Mas infelizmente outras regiões acreditaram na mentira e entregam o governo do país ao partido mais corrupto da história! Um dia pra esquecer!”, disse no Instagram.

ROBERTO DUARTE, deputado estadual e eleito deputado federal

Roberto Duarte grava vídeo eleitoral com o presidente Jair Bolsonaro em Brasília

“Sou e serei oposição ao PT”, disse Duarte (Republicanos), que a partir de 2023 irá compor a bancada federal em Brasília. O deputado chegou a distribuir textos por meio de sua assessoria no dia da eleição falando sobre a importância de eleger Jair Bolsonaro (PL). Duarte culpou o Nordeste pela derrota, ato que foi usado pelo próprio Bolsonaro após resultado do 1º turno e apontado como xenofóbico:

—  “O Acre fez sua parte e deu mais de 70% dos votos para Bolsonaro. Mas, o Nordeste e outros poucos estados escolheram um corrupto e ex presidiário. Deus ajude nosso povo, Deus ajude o Brasil! Em Brasília, sou e serei OPOSIÇÃO FIRME ao Governo do petista Lula”, disse no Facebook.

MARA ROCHA, deputada federal

A deputada aliada de Bolsonaro que roubou a cena nas prévias do PSDB

Após a derrota ao Governo do Acre, Mara Rocha (MDB) não ocupará cargos eletivos em 2023. Em seu perfil no Facebook, ela repetiu os discursos de que Lula é “ex-presidiário” e “descondenado”, embora esse último termo não exista formalmente na língua portuguesa. O uso das expressões no âmbito eleitoral chegou a ser proibido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por ir em desencontro ao que está reconhecido pela lei, uma vez que Lula recuperou seus direitos políticos após uma série de vitórias na Justiça, como a anulação de condenações da Operação Lava Jato e a suspeição do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) — eleito senador pelo Paraná — no caso do triplex no Guarujá (SP). Com as anulações, Lula ficou sem nenhuma condenação criminal em qualquer instância da Justiça, o que o torna juridicamente inocente.

—  “Hoje é um dia de luto e vergonha nacional! Teremos um presidente ex-presidiário e descondenado. Eu não o reconheço como presidente! Chego a conclusão de que o crime compensa e que o povo gosta mesmo é de bandido. Vergonha é para o Brasil ter como presidente um ex-presidiário”, disse no Facebook.

CORONEL ULYSSES, deputado federal eleito

EXCLUSIVO: Coronel Ulysses confirma vinda de Jair Bolsonaro ao Acre em setembro – O Alto Acre

O ex-comandante da Polícia Militar (PM) demonstrou tristeza com o resultado, porém, diferente de sua esposa, a psicóloga Dayanna Menezes, Ulysses não descredibilizou o processo eleitoral e não mencionou se acredita ter havido fraude, alegando a sensação de que o “crime compensa”.

— “Um dia triste para o Brasil. Analisando os acontecimentos de hoje, 30 de outubro, percebo a grande derrota que tivemos em nosso país, principalmente a derrota moral. O Brasil deixa um legado para as futuras gerações que o crime compensa. Pois uma nação que elege para Presidente da República uma pessoa que comandou o maior esquema de corrupção registrada da história do mundo está sobremodo adoecida. O sistema é bruto e mais uma vez teve êxito em suas brutais investidas! Contudo, não podemos parar, a nossa corrida continua, com fé e sempre acreditando que Deus está no controle de tudo e que a sua vontade nos levará a ensinamentos futuros”, trecho do que disse no Facebook.

 

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, amante de meditação e da boa cozinha. Contato: andersonsiqueira.br@gmail.com