APÓS ELEIÇÕES

Manifestantes bolsonaristas desobedecem ordem da Justiça e mantêm protesto em frente ao 4º BIS


Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) que não aceitam a derrota nas urnas no último domingo (30), continuam com uma manifestação em frente ao 4º Batalhão de Infantaria de Selva (4º BIS), mesmo com ordem da Justiça para desobstruir a via. O magistrado apontou uma série de transtornos que estão causados aos moradores da região por conta do protesto, considerado antidemocrático e criminoso.

Em meio ao protesto, militantes criticaram a decisão do juiz Giordane Dourado, que atendeu a ação civil pública do Ministério Público do Acre (MPAC), para a desobstrução da via.  Dourado, que é juiz titular do 3º Juizado Especial Cível da Comarca de Rio Branco, alertou que a manifestação está causando transtornos aos moradores da rua Colômbia, além de prejuízos à circulação da via pública.

Moradores da região também reclamam de poluição sonora e perturbação da paz, havendo relatos de problemas à saúde de crianças que sofrem de espectro autista.

— “As manifestações estão a realizar queima de pneus, estouro de fogos de artifício e incitam a animosidade entre as forças armadas e os poderes constitucionais, incidindo na configuração de vários ilícitos penais”, diz trecho do documento.

O documento exige que a PM proceda ainda nesta sexta-feira (4) as providências necessárias para liberar o tráfego de veículos na região e garantir a fluidez do trânsito, bem como para impedir manifestações sonoras que, após as 22h, comprometam o repouso noturno dos moradores da região. Em caso de desobediência, a justiça estipulou multa de mil reais por hora.

Manifestantes não aceitam derrota

Alguns dos apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) acreditam que o presidente possa ter uma “cartada final” que possa comprovar uma fraude nas urnas, hipótese já negada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Aqueles que não creem na fraude, alegam que não aceitarão que um “ex-presidiário” governe o país. Motivo também não aceito pelas autoridades, uma vez que Lula é considerado juridicamente inocente.

O presidente eleito foi preso no dia 7 de abril de 2018, após se entregar à Polícia Federal (PF) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC em São Bernardo do Campo (SP). Lula foi condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso de um triplex no Guarujá (SP) e foi solto no dia 8 de novembro de 2019, recuperando seus direitos políticos após uma série de vitórias na Justiça, como a anulação de condenações da Lava Jato e a suspeição do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) — eleito senador pelo Paraná — no caso do triplex. Com as anulações, ele ficou sem nenhuma condenação criminal em qualquer instância da Justiça.

O vice-presidente Hamilton Mourão, eleito senador pelo Rio Grande do Sul, disse na quarta-feira (2) que uma intervenção militar colocaria o Brasil em situação difícil perante a comunidade internacional. Líderes de diversos países como Estados Unidos, Rússia, China, Ucrânia, Canadá, Argentina, França e Inglaterra, já reconheceram a legitimidade do processo eleitoral brasileiro e alguns deles ameaçaram romper relações se houver tentativa de golpe de estado.

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Anderson Siqueira

Editor-chefe, escritor, amante de meditação e da boa cozinha. Contato: andersonsiqueira.br@gmail.com