A declaração do senador Plínio Valério (PSDB-AM), feita durante um evento no Amazonas, segue gerando reações. No Acre, a militante do Partido dos Trabalhadores, Camila Cabeça, comentou o caso em suas redes sociais. Em vídeo publicado na internet, ela criticou a fala do senador, que disse ter “tolerado seis horas sem enforcar” a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência na CPI das ONGs.
Camila relembrou que a CPI foi presidida pelo senador acreano Marcio Bittar (União Brasil) e que, segundo ela, não resultou em nenhuma comprovação de irregularidades por parte das organizações da sociedade civil. A militante destacou ainda que a declaração de Plínio Valério representa uma forma de violência política de gênero e questionou o que esse tipo de discurso significa para a segurança de mulheres fora dos espaços públicos.
Durante o vídeo, Camila chamou atenção para o fato de que a fala do senador envolve uma mulher negra, amazônida e com uma longa trajetória na política, que inclui mandatos como vereadora, deputada, senadora e ministra de Estado. Ela classificou o episódio como parte de uma estrutura de misoginia que naturaliza a violência simbólica contra mulheres que ocupam posições de poder.
A ministra Marina Silva também se pronunciou publicamente sobre o caso. Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministra”, da Empresa Brasil de Comunicação, ela afirmou que a fala de Plínio Valério é um exemplo de incitação à violência contra a mulher. Marina destacou que, se até mulheres em cargos de visibilidade passam por esse tipo de ataque, o risco é ainda maior para aquelas que não têm o mesmo nível de reconhecimento público.
“A violência política de gênero acontece o tempo todo. Com a vida dos outros não se brinca”, disse a ministra.
O episódio provocou reações no Congresso Nacional, com parlamentares de diferentes partidos protocolando pedido de cassação do mandato do senador no Conselho de Ética do Senado. O caso segue em análise.